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O autoritarismo da excelência do homem gay
💡 Mais Leve Do Que Nunca - Edição #015

Eu, Zé Gotinha e minha carteira de vacinação atualizada
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Minhas frases mudam vidas
Porque eu pus minha vida em cada frase
Eu escrevo pra cicatrizar feridas
E pra te lembrar que a vida é o que vale
Ser Humano ou Ser Perfeito? O Caminho da Autoaceitação
A busca por a excelência não é, em si, um problema, mas é essencial questionar os motivos que nos levam a isso.
Você descobriu seu diagnóstico de HIV e, em meio a tantas sensações e sentimentos, duas emoções se destacam: a culpa e a autocobrança por ter "falhado" consigo mesmo.
Você sabia sobre os métodos preventivos, mas, seja qual tenha sido o motivo, houve um descuido.
Talvez tenha se deixado levar pelo calor do momento ou dado um voto de confiança, deixando-se encantar pelo “canto da sereia”.
Pior ainda é quando você sempre faz “tudo certinho” e, ao contrário das outras pessoas que julgava “promíscuas”, bastou uma única vez.
Um único descuido e, então, aconteceu o acidente que marcaria sua vida para sempre: a transmissão da infecção.
Agora, não há outra opção senão encarar o diagnóstico de frente.
Acontece que ele — o diagnóstico — nunca chega sozinho.
Com ele vem sua gangue de vilões: o medo, a culpa, o remorso, a vergonha, a autocobrança, a exigência e todas as incertezas e inseguranças.
Um verdadeiro tsunami de emoções.
Emoções que adoecem o corpo e a alma, transformando-se em um fardo pesado para um corpo sobrecarregado e uma alma sufocada e silenciada.
E não há remédio que dê conta de reparar os danos que esse tsunami causou.
Inocente é quem acredita que o HIV ataca apenas as células TCD4 do sistema imunológico.
Ele faz muito pior: destrói algo muito mais sutil e profundo — o sistema imunológico emocional.
Ele fere de maneira letal as “células” da vaidade e do orgulho.
E, acima de tudo, ele ataca sem piedade o nosso ponto mais fraco: o desejo de sermos amados.
Daí você deve estar se perguntando:
“Mas o que isso tem a ver com o autoritarismo da excelência do homem gay?”
Pode parecer que são assuntos distantes, mas a verdade é que, por trás dessa excelência que buscamos apresentar ao mundo, esconde-se também a necessidade de aprovação, que, em última instância, é a necessidade de ser amado.
Aqui está um comportamento comum entre homens gays: a busca pela excelência em tudo o que fazem.
Seja em casa, no esforço de sustentar a imagem do melhor filho — o orgulho da família — ou na empresa, dando seu sangue para ser o melhor empregado.
Na maioria das vezes, essa postura está relacionada a uma tentativa exaustiva de compensar o fato de sermos gays em um mundo que frequentemente nos marginaliza.
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